EXECUÇÃO DE EXERCÍCIO E PROVAS
Ao executar exercícios ou provas com alunos portadores da Síndrome de Down, o professor deve elaborar uma maneira pratica e diferenciada de avaliar esses alunos. Uma forma interessante é permitir que os alunos auto-avaliam-se. Sempre que consideram que dominam um determinado ponto do programa ou assunto, escrevem-no numa folha do "Eu já sei". Depois, o professor dirige-se ao aluno e faz uma avaliação "mais formal". Esta avaliação pode ser efetuada de várias formas: uma conversa, um exercício escrito, a resolução de um problema, etc. Tudo depende do objetivo em questão. Por outro lado, tenta-se sempre que os objetivos anteriores também sejam avaliados de forma a que a avaliação seja um processo contínuo. Quando um determinado aluno pensa que esgotou todos os instrumentos que tem ao seu dispor para estudar um determinado assunto (biblioteca, computador, colegas), e mesmo assim não conseguiu compreender um determinado ponto, recorre ao professor. O aluno escreve então o seu nome, a data e tema em estudo na folha do "Eu preciso de ajuda". Depois, o professor dirige-se ao aluno (ou alunos) com a dificuldade e tenta esclarecê-lo no que os alunos costumam chamar de "aula direta".
O aluno com Down não deve ser avaliado da mesma forma que uma criança normal. Por ele ter dificuldades de reter informações extensas, o professor deve ir fazendo a avaliação processual. Cada avanço que ele apresentar deve ser levado em conta. Exercícios devem ter uma estrutura diferente, letras maiores e contar com gravuras para ilustrar as atividades. O importante não é a velocidade. É saber a direção.
Para realizar uma verdadeira avaliação dos progressos do aluno, assim como de seu nível inicial, nem sempre podemos utilizar os mesmos instrumentos com todas as crianças. Do mesmo modo que não podemos dar a uma criança cega um livro escrito, tampouco podemos avaliar uma criança com Síndrome de Down do mesmo modo que ao resto dos alunos. O uso do exame escrito se limitará àqueles alunos que realmente sabem ler, mas obviamente terá que adaptar-se ao nível de escrita do aluno: estudar-se-á se é melhor aplicar perguntas abertas ou tipo teste, por exemplo:
• Nas crianças menores, serão avaliadas as aprendizagens conseguidas mediante a manipulação, aplicação ou uso dos conteúdos trabalhados.
• Serão feitos exames orais, ou serão pedidos trabalhos ou atividades nas qual o aluno demonstre o que conhece.
• Os alunos com Síndrome de Down têm dificuldades na generalização das aprendizagens, de maneira que não os avaliaremos sempre do mesmo modo nem com os mesmos materiais, já que é possível que tenham aprendido em um determinado contexto, sem capacidade para generalizar para outras situações.
• Finalmente dizer que é fundamental a avaliação contínua, e não apenas determinar se um aluno sabe ou não sabe pelo que demonstre em um dado momento, tem que ser ao longo de todo o curso.
O tema inclusão escolar tem sido amplamente discutido por muitos autores que vêem e tentam mostrar à todos os benefícios que este tipo de prática proporciona para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças ao serem inseridas em um ambiente que há pouco tempo atrás nem se imaginava possível, pois a segregação das crianças com necessidades educativas especiais, do convívio social, era uma prática corrente. A inclusão traz consigo a idéia de igualdade de direitos e, principalmente o respeito às diferenças, ao afirmar que independente das necessidades especiais todas as crianças têm o direito de freqüentar uma escola regular e aprender os conceitos trabalhados.
Dessa maneira, é necessário planejar a organização do ambiente e das atividades escolares para promover interações cooperativas entre alunos com e sem necessidades especiais e, assim favorecer a inclusão.
Os autores Monteiro,1997 e Bishop,1999, destacam que alunos que convivem com colegas com necessidades especiais aprendem a resolver problemas de forma cooperativa e apresentam menos comportamentos segregadores ou excludentes, também identificaram a aquisição de valores como respeito e valorização às diferenças e solidariedade, mostrando assim que a inclusão traz benefícios tanto para as crianças com síndrome de Down quanto para as crianças tidas como “normais”.
Pesquisas mostram que as crianças se desenvolvem melhor academicamente quando trabalham num ambiente inclusivo. Não podemos esquecer que com o convívio na mesma sala de aula, essas crianças desenvolvem relações de amizade, através das quais assumem como modelo para a sua aprendizagem e desenvolvimento intelectual e social.
Cooperando socialmente uns com os outros eles criam oportunidades diárias de se misturar com seus parceiros que com desenvolvimento típico vão proporcionando modelos para comportamento de acordo com a faixa etária e dando um passo chave em direção à inclusão na vida comunitária e na sociedade como um todo.
AVALIAÇÃO DO ALUNO COM SÍNDROME DE DOWN
A avaliação do aluno se dá no todo. Observa-se desde seu equilíbrio estático ao equilíbrio dinâmico e de objetos. É avaliada sua dicção, tátil, térmico, olfativo gustativa, as habilidades e percepções, figura fundo, memória visual, sua coordenação viso motora. O esquema corporal, a orientação espacial e temporal são trabalhadas e avaliadas constantemente. Também sua atitude em relação ao material, às atividades que realiza sozinho. Transmissão de recados, cuidados com a roupa, higiene, noções de dinheiro e conhecimento de recursos na comunidade, supermercado, etc. O aluno com Síndrome de Down chega até uma determinada fase como uma subida lenta e chega a um platô que o que interessa não é buscar o novo, mas conservar o que já aprendeu e não esqueceu.
Howard Gardner afirma que “os educadores devem conhecer ao máximo cada um de seus alunos e, assim, ensiná-los da maneira que eles melhor poderão aprender”. Esta frase de Gardner traduz como deve ser o processo avaliativo das nossas escolas, não apenas com síndrome de Down, mas com todos, pois se o professor conhece realmente seus alunos, sabe das suas limitações, dificuldades, avanços, etc. podendo assim utilizar diferentes métodos avaliativos, de acordo com a necessidade e o desenvolvimento de cada um, ou seja, uma avaliação diferente da que vemos hoje nas escolas que só servem para classificar, castigar e definir o destino dos alunos de acordo com as normas escolares.
Avaliação do aluno com Síndrome de Down tem que ser mais individualizada que nos outros casos, e a avaliação das aprendizagens têm que ser mais especializada tendo em conta fatores como: a capacidade de aprendizagem, o funcionamento sensorial, o funcionamento motor, o contexto sócio-familiar… Além disso, a criança deve estar sujeita a um maior controle, com o fim de lhe facilitar ao máximo suas aprendizagens e de fazer as modificações e adequações que se considerem oportunas, em cada momento.


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