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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Escola. Lugar que acolhe e educa.



A ESCOLA DISPÕE DA AJUDA DE ALGUM PROFISSIONAL QUE POSSA AUXILIÁ-LOS.


A (LDB), Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional em seu artigo 4°, parágrafo III garante atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino. Contudo o que encontramos na maioria das escolas são
professores despreparados emocional e profissionalmente para o atendimento a esses alunos e nenhum outro profissional especializado para auxiliá-lo, deixando assim os professores frustrados, pois apesar da vontade de fazer acontecer, eles não sabem por onde começar e acabam mesmo sem querer excluindo esse aluno. Sabemos que nossas escolas são extremamente conteudistas, onde muitos professores preocupam-se apenas em transmitir conhecimentos e esquecem-se do lado humano da educação. Já afirmava Paulo Freire (1996) que “Transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador”. A maior parte dos alunos com Síndrome de Down vai precisar de apoio adicional. Porém, o tipo de apoio que a criança recebe pode ter um enorme impacto na efetivação da inclusão. A seguir, algumas coisas que são esperadas do profissional de apoio: No que diz respeito à criança: Aumentar o acesso ao currículo e ao desenvolvimento doaprendizado.
• Garantir que a criança aprenda novas habilidades.
• Ajudar a desenvolver a independência.

• Ajudar a desenvolver habilidades sociais, amizades e comportamento apropriado para a idade.
No que diz respeito ao professor:
• Ajudar a modificar ou adaptar tarefas planejadas pelo professor.
• Dar informações mais detalhadas sobre o desempenho do aluno ao professor.
• Dar oportunidade ao professor de trabalhar individualmente com uma criança com Síndrome de Down ou em grupo enquanto assume o lugar do professor.

Também é muito importante que o professor de apoio seja visto como pertencendo a toda classe, dando ajuda a todas as crianças que necessitarem, e não como propriedade da criança com Síndrome de Down. Desta maneira, outras crianças da classe se beneficiam com o apoio extra. O professor nunca deve abdicar de sua responsabilidade pela criança com Síndrome de Down. O que precisamos hoje para tornar nossas escolas realmente inclusivas é ter um olhar diferenciado para avaliar essa criança e trabalhar com ela, identificando suas habilidades e potencialidades. É preciso mudar a forma de ensinar para mudar a forma de aprender, é preconceito achar que todos aprendem iguais, existem diferentes formas de promover o desenvolvimento da criança.

DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO

Por fim, consideramos importante abordar a questão do preconceito, já que ainda hoje sabemos que com freqüência existe discriminação em relação ao aluno portador de necessidades educativas especiais, seja por parte direção da própria escola ou por parte dos pais das outras crianças consideradas "normais". Em primeiro lugar é importante citar que por lei as escolas devem receber as crianças portadoras de síndrome de Down sem nenhuma restrição. Mas será que todas elas estão prontas para receber um aluno "diferente"? Este ponto é muito delicado. Muitos pais têm colocado seus filhos em escolas que sentem que eles estão sendo bem recebidos, pois este ambiente de receptividade é fundamental para todos, principalmente naquilo que diz respeito à aprendizagem. Outro ponto importante para pais e educadores é a defesa de um ambiente escolar inclusivo, pois só isso levará a uma sociedade inclusiva no futuro. A experiência de conviver com um amiguinho portador da síndrome de Down é riquíssima para qualquer criança ou adolescente. Assim, os "normais" aprendem na prática conceitos como diversidade, solidariedade, ética e respeito, e todos saem ganhando. Aconselhamos que as escolas que favoreçam a inclusão reúnam com freqüência os familiares, expliquem a sua filosofia e favoreçam a inclusão dos próprios pais das crianças portadoras da síndrome de Down, afinal, muitas vezes, eles mesmos sentem-se discriminados pelas outras famílias.

E a família? Qual o seu papel?




. INTERAÇÃO COM A FAMÍLIA DO ALUNO
É indiscutível a importância da participação da família na vida escolar da criança, seja ela portadora de alguma deficiência física e/ou intelectual ou não. Nós professores conseguimos constatar de perto essa realidade, uma vez que percebemos nitidamente a diferença que ocorre na aprendizagem dos alunos que não têm um acompanhamento eficiente dos pais e aqueles que têm.
Ao se tratar da criança com Síndrome de Down, essa participação torna-se mais fundamental, pois a família pode e deve ajudar o professor, que muitas vezes não recebeu a formação necessária para trabalhar com essas crianças e assim juntos conseguir o objetivo principal que é fazer essa criança se desenvolver e inseri-la na sociedade.
 Cabe ao professor realizar uma entrevista com a família e com o aluno para conhecer melhor a sua convivência familiar e social, suas dificuldades, potencialidades e quais as expectativas com relação a Escola. Nesse momento deve ser esclarecido sobre a necessidade do comprometimento da família em acompanhar o aluno de forma sistemática em reuniões individuais e coletivas sempre que houver necessidade. Deve ser esclarecida, também, a proposta pedagógica da Escola, desde as regras coletivas até o processo de avaliação. É preciso que a família sinta-se confortável, segura, confiante e realista diante das novas possibilidades que surgem diante da inclusão.

Embora muitos pais vão à escola regularmente, um livro de comunicação casa-escola é o ideal como forma de informar as novidades do dia. Isso tem um valor inestimável, principalmente enquanto a criança ainda não possui uma habilidade de fala e linguagem muito desenvolvida para contar as novidades claramente. Tome cuidado para não transformar o livro só em um portador de más notícias.
Percebemos o quanto é importante a interação professor – família na educação dos alunos especiais. Acreditamos que a participação da família é cada vez mais importante nos rumos da educação. E que quando uma criança chega à escola, já traz consigo, uma gama de conhecimentos e conceitos, adquiridos no seio da família. Para Voivodic (2005, p. 48):

A família se constitui o primeiro grupo social da criança, e é através do relacionamento familiar que a criança viverá a primeira inserção no mundo. É no seio da família que a criança terá suas primeiras experiências, sendo, portanto esta a unidade básica de crescimento do ser humano e sua primeira matriz de aprendizagem.

As famílias de crianças com necessidades educacionais especiais enfrentam, em seu, dia a dia uma infinidade de desafios que precisam ser superados, desde a própria luta interna para superar a frustração inicial, até o enfrentamento dos preconceitos que a sociedade impõe. É preciso que a escola interaja com a família e que a família esteja bem estruturada psicologicamente, para vencê-los.


Como avaliar?



EXECUÇÃO DE EXERCÍCIO E PROVAS
Ao executar exercícios ou provas com alunos portadores da Síndrome de Down, o professor deve elaborar uma maneira pratica e diferenciada de avaliar esses alunos. Uma forma interessante é permitir que os alunos auto-avaliam-se. Sempre que consideram que dominam um determinado ponto do programa ou assunto, escrevem-no numa folha do "Eu já sei". Depois, o professor dirige-se ao aluno e faz uma avaliação "mais formal". Esta avaliação pode ser efetuada de várias formas: uma conversa, um exercício escrito, a resolução de um problema, etc. Tudo depende do objetivo em questão. Por outro lado, tenta-se sempre que os objetivos anteriores também sejam avaliados de forma a que a avaliação seja um processo contínuo. Quando um determinado aluno pensa que esgotou todos os instrumentos que tem ao seu dispor para estudar um determinado assunto (biblioteca, computador, colegas), e mesmo assim não conseguiu compreender um determinado ponto, recorre ao professor. O aluno escreve então o seu nome, a data e tema em estudo na folha do "Eu preciso de ajuda". Depois, o professor dirige-se ao aluno (ou alunos) com a dificuldade e tenta esclarecê-lo no que os alunos costumam chamar de "aula direta".
O aluno com Down não deve ser avaliado da mesma forma que uma criança normal. Por ele ter dificuldades de reter informações extensas, o professor deve ir fazendo a avaliação processual. Cada avanço que ele apresentar deve ser levado em conta. Exercícios devem ter uma estrutura diferente, letras maiores e contar com gravuras para ilustrar as atividades. O importante não é a velocidade. É saber a direção.
Para realizar uma verdadeira avaliação dos progressos do aluno, assim como de seu nível inicial, nem sempre podemos utilizar os mesmos instrumentos com todas as crianças. Do mesmo modo que não podemos dar a uma criança cega um livro escrito, tampouco podemos avaliar uma criança com Síndrome de Down do mesmo modo que ao resto dos alunos. O uso do exame escrito se limitará àqueles alunos que realmente sabem ler, mas obviamente terá que adaptar-se ao nível de escrita do aluno: estudar-se-á se é melhor aplicar perguntas abertas ou tipo teste, por exemplo:

•  Nas crianças menores, serão avaliadas as aprendizagens conseguidas mediante a manipulação, aplicação ou uso dos conteúdos trabalhados.
•  Serão feitos exames orais, ou serão pedidos trabalhos ou atividades nas qual o aluno demonstre o que conhece.
•  Os alunos com Síndrome de Down têm dificuldades na generalização das aprendizagens, de maneira que não os avaliaremos sempre do mesmo modo nem com os mesmos materiais, já que é possível que tenham aprendido em um determinado contexto, sem capacidade para generalizar para outras situações.
•  Finalmente dizer que é fundamental a avaliação contínua, e não apenas determinar se um aluno sabe ou não sabe pelo que demonstre em um dado momento, tem que ser ao longo de todo o curso.

  TRABALHOS COOPERATIVOS COM OUTROS ALUNOS




O tema inclusão escolar tem sido amplamente discutido por muitos autores que vêem e tentam mostrar à todos os benefícios que este tipo de prática proporciona para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças ao serem inseridas em um ambiente que há pouco tempo atrás nem se imaginava possível, pois a segregação das crianças com necessidades educativas especiais, do convívio social, era uma prática corrente. A inclusão traz consigo a idéia de igualdade de direitos e, principalmente o respeito às diferenças, ao afirmar que independente das necessidades especiais todas as crianças têm o direito de freqüentar uma escola regular e aprender os conceitos trabalhados.
Dessa maneira, é necessário planejar a organização do ambiente e das atividades escolares para promover interações cooperativas entre alunos com e sem necessidades especiais e, assim favorecer a inclusão.
Os autores Monteiro,1997 e Bishop,1999, destacam que alunos que convivem com colegas com necessidades especiais aprendem a resolver problemas de forma cooperativa e apresentam menos comportamentos segregadores ou excludentes, também identificaram a aquisição de valores como respeito e valorização às diferenças e solidariedade, mostrando assim que a inclusão traz benefícios tanto para as crianças com síndrome de Down quanto para as crianças tidas como “normais”.

Pesquisas mostram que as crianças se desenvolvem melhor academicamente quando trabalham num ambiente inclusivo. Não podemos esquecer que com o convívio na mesma sala de aula, essas crianças desenvolvem relações de amizade, através das quais assumem como modelo para a sua aprendizagem e desenvolvimento intelectual e social.
 Cooperando socialmente uns com os outros eles criam oportunidades diárias de se misturar com seus parceiros que com desenvolvimento típico vão proporcionando modelos para comportamento de acordo com a faixa etária e dando um passo chave em direção à inclusão na vida comunitária e na sociedade como um todo.

AVALIAÇÃO DO ALUNO COM SÍNDROME DE DOWN
A avaliação do aluno se dá no todo. Observa-se desde seu equilíbrio estático ao equilíbrio dinâmico e de objetos. É avaliada sua dicção, tátil, térmico, olfativo gustativa, as habilidades e percepções, figura fundo, memória visual, sua coordenação viso motora. O esquema corporal, a orientação espacial e temporal são trabalhadas e avaliadas constantemente. Também sua atitude em relação ao material, às atividades que realiza sozinho. Transmissão de recados, cuidados com a roupa, higiene, noções de dinheiro e conhecimento de recursos na comunidade, supermercado, etc. O aluno com Síndrome de Down chega até uma determinada fase como uma subida lenta e chega a um platô que o que interessa não é buscar o novo, mas conservar o que já aprendeu e não esqueceu.
 Howard Gardner afirma que “os educadores devem conhecer ao máximo cada um de seus alunos e, assim, ensiná-los da maneira que eles melhor poderão aprender”. Esta frase de Gardner traduz como deve ser o processo avaliativo das nossas escolas, não apenas com síndrome de Down, mas com todos, pois se o professor conhece realmente seus alunos, sabe das suas limitações, dificuldades, avanços, etc. podendo assim utilizar diferentes métodos avaliativos, de acordo com a necessidade e o desenvolvimento de cada um, ou seja, uma avaliação diferente da que vemos hoje nas escolas que só servem para classificar, castigar e definir o destino dos alunos de acordo com as normas escolares.

Avaliação do aluno com Síndrome de Down tem que ser mais individualizada que nos outros casos, e a avaliação das aprendizagens têm que ser mais especializada tendo em conta fatores como: a capacidade de aprendizagem, o funcionamento sensorial, o funcionamento motor, o contexto sócio-familiar… Além disso, a criança deve estar sujeita a um maior controle, com o fim de lhe facilitar ao máximo suas aprendizagens e de fazer as modificações e adequações que se considerem oportunas, em cada momento.

Seu objetivo é aperfeiçoar o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno. Não se centra no problema da criança e sim na ajuda que essa necessita para alcançar os objetivos que se propõe. A avaliação é feita para identificar suas necessidades e determinar a ajuda necessária.


DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES VISANDO INTEGRAÇÃO COM OS OUTROS ALUNOS



Muitos alunos com Síndrome de Down, assim como outros alunos com necessidades educacionais especiais, não se adaptam a algumas práticas de sala de aula: aulas expositivas para a turma inteira, aprender ouvindo, e trabalho de reforço baseado em exercícios sem modificação. Portanto, os professores precisam analisar suas práticas de sala de aula e todo o ambiente de aprendizado na classe de forma que as atividades, os materiais e os grupos de alunos sejam levados em conta. Para certos propósitos, a habilidade será menos importante do que os estilos de aprender de cada aluno. É importante, por exemplo, utilizar a motivação e a oportunidade para aprender com bons modelos que surgem quando os alunos com Síndrome de Down estão trabalhando em grupo com os colegas.
Estudos mostram que não apenas os alunos com necessidades educacionais especiais preferem trabalhar em grupo, mas o grupo cooperativo fomenta o aprendizado.
Estratégias:
Decida quando a criança deve trabalhar:
•  Em atividades com toda a classe.
•  Em grupo ou em pares na classe.
•  Em grupo ou em pares numa área afastada.
•  Individualmente independentemente ou individualmente com o professor.

Decida quando a criança deve ficar:
•  Sem apoio.
•  Com apoio dos colegas.
•  Com apoio do professor assistente.
•  Com apoio do professor da turma.

•  Faça um Plano de Educação Individual para atingir determinadas áreas que necessitem atenção.
•  Produza uma grade de horários visualmente atraentes para que a criança entenda a estrutura do seu dia.


HORA DE BRINCAR
Algumas ajudas adicionais na inclusão de crianças pequenas com Síndrome de Down durante a hora da brincadeira podem ser necessárias. Porém, qualquer ajuda de adulto que a criança tiver, se não for usado com sensibilidade, pode erguer uma barreira entre a  criança e seus colegas, o que, junto com a dificuldade de fala e linguagem, pode tornar as coisas muito mais difíceis para a criança com Síndrome de Down:
•  Começar independentemente a brincar com outras crianças.
•  Entender as regras do jogo.
•  Entender as regras de “ser amigo”.
Estratégias:
•  Encoraje o aprendizado cooperativo em trabalho com um parceiro ou num grupo pequeno.
•  Não coloque sempre o aluno junto com o grupo menos capaz ou menos motivado. Alunos com Síndrome de Down se beneficiam por trabalhar com crianças mais capazes se as tarefas forem adequadamente diferenciadas.
•  Promova a conscientização sobre as deficiências através de, por exemplo, uma discussão com toda a classe ou a escola. É importante que os alunos se familiarizem com o colega com Síndrome de Down, entendam seus pontos fortes, seus pontos fracos, sua capacidade e também reconheçam que ele tem as mesmas necessidades emocionais e sociais do que eles próprios.
•  Se achar adequado, promova uma alternância de amigos ou um sistema de colega de apoio para ajudar na inclusão.
•  Use a ajuda dos colegas no lugar de adultos sempre que possível.
•  Organize apoio para oferecer sessões de brincadeira estruturadas na hora do recreio.
•  Encoraje a participação do aluno em atividades extra-curriculares com os colegas da escola (clubes de livro, esportes, etc).
•  Encoraje habilidades de independência e vida prática, por exemplo, dando-lhe responsabilidades – devolver livros, levar mensagens, etc.
•  Encoraje-o a conhecer a si mesmo, respeitar a própria identidade, promova sua auto-estima e auto-confiança.
•  Promova o entendimento através de teatro, livros, figuras ou na hora da rodinha.

AÇÕES DE ACOLHIMENTO COLETIVAS, QUE INCLUAM DEMAIS ALUNOS





Um passo importante é preparar a turma para receber o aluno. Antes do aluno chegar à turma deve ser esclarecida a respeito de sua deficiência e como todos podem se ajudar mutuamente. É de extrema importância criar um clima de expectativas positivas com relação às possibilidades de aprendizagem do aluno e agrupar os alunos desde o primeiro dia de aula.

Ainda que as necessidades específicas de cada aluno possam redundar em adaptações necessárias das atividades realizadas em sala de aula, o mais importante é torná-los cientes da diversidade, mas também, das possibilidades de crescimento individual e coletivo em razão dessas diferenças.
Não existe nada mais simples e verdadeiro do que dizer que a melhor maneira de receber o aluno com SD é recebê-lo de braços e coração abertos, permitir-se olhar aquela criança ou jovem além da síndrome e das eventuais dificuldades que possa trazer. Acreditar nas possibilidades. Se a escola focar suas expectativas e estratégias apenas nas dificuldades do aluno com SD, logo se verá frustrada e desmotivada, pois a defasagem pode acontecer efetivamente. Mas se o foco estiver em suas habilidades e em uma visão competencial da aprendizagem, maior será o resultado alcançado pelo professor, pelo aluno que parecia tão diferente e por seus colegas que certamente também terão seu ensino positivamente contaminado por este modo inclusivo de ver o jeito de aprender de cada um.
A inclusão bem-sucedida é um passo importante para que crianças com necessidades educacionais especiais se tornem membros plenos e contributivos da comunidade, e a sociedade como um todo se beneficia disso. Os colegas com desenvolvimento típico ganham conhecimento sobre deficiência, tolerância e aprendem como defender e apoiar outras crianças com necessidades educacionais especiais. Como escreve David Blunkett “quando todas as crianças são incluídas como parceiros iguais na comunidade escolar, os benefícios são sentidos por todos”.
Mas a inclusão bem-sucedida não acontece automaticamente. A experiência mostra que um dos ingredientes mais importantes para um acolhimento bem-sucedido de um aluno com necessidade de aprendizagem específica é simplesmente a vontade de que ela ocorra. A atitude da escola como um todo é, portanto, um fator significativo. Uma atitude positiva resolve problemas por si só. As escolas precisam de uma política clara e sensível sobre inclusão de sua direção e coordenação, que devem ser comprometidas com esta política e apoiar seus funcionários, ajudando-os a desenvolver novas soluções em suas salas de aula.


SOLUÇÃO PARA ENTRAVES AO DESENVOLVIMENTO DIDÁTICO DEVIDO À DEFICIÊNCIA




As crianças com Síndrome de Down não apenas levam mais tempo para se desenvolver e portanto precisam de um currículo mais diluído. Elas têm, em geral, um perfil de aprendizagem específico com pontos fortes e fracos característicos. Saber, ter conhecimento dos fatores que facilitam e inibem o aprendizado permite aos professores planejar e levar adiante atividades relevantes e significativas e programas de trabalho. O perfil de aprendizado característico e estilos de aprendizado de uma criança com Síndrome de Down junto com suas necessidades individuais e variações do perfil devem, portanto, ser considerados.

Os seguintes fatores são comuns a várias crianças com Síndrome de Down. Alguns têm implicações físicas, outras têm comprometimentos cognitivos. Muitas têm ambos.

FATORES QUE FACILITAM O APRENDIZADO
•  Forte reconhecimento visual e habilidade visual de aprendizado, incluindo:
•  Habilidade de aprender e usar sinais, gestos e apoio visual;
•  Imitação de comportamento e atitudes dos colegas e adultos;
•  Aprendizado com currículo prático e material e com atividades de manipulação

FATORES QUE INIBEM O APRENDIZADO
DIFICULDADE DE VISÃO
Embora os alunos com Síndrome de Down costumem ser muito bons em aprender visualmente e sejam capazes de utilizar esta habilidade para aprender o currículo, muitos têm alguma dificuldade de visão: de 60 a 70% usam óculos antes dos sete anos e é importante diagnosticar e sanar as dificuldades que eles possuem.

Soluções:
•  Coloque o aluno mais à frente;
•  Escreva com letras maiores;
•  Faça apresentações simples e claras;

DIFICULDADE DE AUDIÇÃO
Muitas crianças com Síndrome de Down têm alguma perda auditiva, especialmente nos primeiros anos. Até 20% apresentam perda sensorial-neural, causada por defeitos no desenvolvimento do ouvido e nervos auditivos. Outros 50% podem ter perda auditiva ocasionada por infecções respiratórias que costumam ocorrer por conta dos canais auditivos mais estreitos. É especialmente importante checar a audição da criança porque ela afetará sua fala e linguagem.

A clareza da audição também pode ser flutuante e é importante identificar que respostas inconsistentes pode ser fruto de deficiência auditiva e não falta de entendimento ou atitude indesejada.
Soluções:
•  Coloque o aluno mais à frente;
•  Fale diretamente ao aluno;
•  Reforce o discurso com expressões faciais, sinais ou gestos;
•  Reforce o discurso com material de apoio visual – figuras, fotos, objetos;
•  Escreva novo vocabulário no quadro;
•  Quando outros alunos responderem, repita suas respostas alto;
•  Diga de outra forma ou repita palavras e frases que possam ter sido mal-entendidas;





SISTEMA MOTOR FINO E GROSSO
Muitas crianças com Síndrome de Down têm flacidez muscular (hipotonia), o que pode afetar sua habilidade motora fina e grossa. Isso pode atrasar as fases do desenvolvimento motor, restringindo experiências dos primeiros anos, tornando o desenvolvimento cognitivo mais lento. Na sala de aula, o desenvolvimento da escrita é especialmente afetado.
Soluções:
•  Oferecer exercícios extras, orientação e encorajamento – todos as habilidades motoras melhoram com a prática;
•  Oferecer atividades para o fortalecimento do pulso e dedos, como por exemplo, alinhavar, seguir tracinhos com o lápis, desenhar, separar, cortar, apertar, construir, etc.
•  Usar um grande leque de atividades e materiais multi-sensoriais.
•  Procurar que as atividades sejam as mais significativas e prazerosas possíveis.

DIFICULDADE DE FALA E DE LINGUAGEM
Crianças com Síndrome de Down típicas possuem dificuldade de fala e linguagem e devem ser atendidas regularmente por fonoaudiólogos que podem sugerir atividades individualizadas para promover o desenvolvimento de sua fala e linguagem.

O atraso na linguagem é causado por uma combinação de fatores, alguns deles físicos e alguns devido a problemas cognitivos e de percepção. Qualquer atraso em aprender a entender e usar a linguagem pode levar a um atraso cognitivo. O nível de conhecimento e entendimento e, logo, a habilidade de acessar o currículo vai inevitavelmente ser afetada. Habilidades receptivas são mais desenvolvidas do que habilidades de expressão. Isso quer dizer que as crianças com Síndrome de Down entendem mais do que são capazes de expressar. Como resultado disso, as habilidades cognitivas destes alunos são freqüentemente subestimadas.

ATRASO NA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM
•  Vocabulário menor, levando a um conhecimento geral menor.
•  Dificuldade de aprender regras gramaticais (não usar vocábulos de conexão, preposições, etc), resultando num estilo telegráfico de discurso.
•  Habilidade para aprender vocabulário novo mais facilmente do que as regras gramaticais.
•  Maiores problemas em aprender e usar linguagem social.
•  Maiores problemas em entender linguagem específica apresentada no currículo.
•  Dificuldade em compreender instruções.
•  Além disso, a combinação de ter uma boca menor e músculos da boca e da língua mais fracos torna a formação das palavras fisicamente mais difícil, e quanto maior a frase, maior fica os problemas de articulação.
•  Problemas de fala e linguagem para estas crianças normalmente significam que menos oportunidades lhes são oferecidas para manter uma conversação. É mais difícil para eles pedir informação ou ajuda. Os adultos costumam fazer perguntas fechadas, ou terminar uma frase pelas crianças sem lhes dar tempo para falarem por si próprios nem ajudar para que eles consigam fazê-lo.
•  A conseqüência disso é que a criança: Ganha menos experiência de linguagem que lhe dê oportunidade de aprender novas palavras e estruturas de período. Tem menos oportunidade de praticar para tentar falar com mais clareza.
•  Soluções:
•  Dar tempo para o processamento da linguagem e para responder.
•  Escutar atentamente – seu ouvido irá se acostumar.
•  Falar frente a frente e com os olhos nos olhos do aluno.
•  Usar linguagem simples e familiar, com frases curtas e enxutas.
•  Checar o entendimento – pedir para a criança repetir instruções dadas.
•  Evitar vocabulário ambíguo.
•  Reforçar a fala com expressões faciais, gestos e sinais.
•  Ensinar a ler e usar palavras impressas para ajudar a fala e a pronúncia.
•  Reforçar instruções faladas com instruções impressas, usar também imagens, diagramas, símbolos e material concreto.
•  Enfatizar palavras-chave reforçando-as visualmente.
•  Ensinar gramática com material impresso, cartões de figuras, jogos, figuras de preposições, símbolos, etc.
•  Evitar perguntas fechadas e encorajar a criança a falar além de frases monossilábicas.
•  Encorajar o aluno a falar em voz alta na sala dando a ele estímulos visuais. Permitir que eles leiam a informação pode ser mais fácil para eles do que falar espontaneamente.
•  O uso de um diário para casa e escola pode ajudar os alunos a contar suas “novidades”.
•  Desenvolver a linguagem através de teatro e faz-de-conta.
•  Encorajar o aluno a liderar.
•  Criar oportunidades onde ele possa falar com outras pessoas, por exemplo, levar mensagens, etc.
•  Providenciar várias atividades e jogos de ouvir por pouco tempo e materiais visuais e táteis para reforçar a linguagem oral e fortalecer as habilidades auditivas.

DÉFICIT DE MEMÓRIA AUDITIVA RECENTE E NA HABILIDADE DE PROCESSAMENTO AUDITIVO
Outros problemas de fala e linguagem em crianças com Síndrome de Down surgem por conta de dificuldades na memória auditiva recente e nas habilidades de processamento auditivo. A memória auditiva recente é a memória armazenada usada para manter, processar, entender e assimilar a língua falada o tempo suficiente para responder. Qualquer déficit na memória auditiva recente vai afetar consideravelmente a habilidade do aluno em responder a palavra falada ou aprender a partir de situações que se prendam somente a sua habilidade auditiva. Além disso, eles acham mais difícil seguir e lembrar de instruções verbais.
Soluções:
•  Limite a quantidade de instruções verbais a uma de cada vez.
•  Dê tempo à criança para processar e responder às colocações verbais.
•  Repita individualmente para o aluno qualquer informação ou instrução que foi dada a classe como um todo

•  Tente evitar instruções ou discussões na classe que sejam muito longas.
•  Planeje traduções visuais e/ou atividades alternativas.
•  Lembre-se: em geral, crianças com Síndrome de Down têm fortes habilidades de aprendizagem visual, mas não são bons aprendizes auditivos. Sempre que possível eles necessitam de apoio visual e concreto e materiais práticos para reforçar as informações auditivas.

CAPACIDADE DE CONCENTRAÇÃO MAIS CURTA
Muitas crianças com Síndrome de Down têm uma capacidade de concentração mais curta e são facilmente distraídos. Além disso, a intensidade do aprendizado com apoio, especialmente quando ele se dá individualmente, é muito maior e a criança se cansa mais facilmente do que a criança que não necessita deste apoio.
Soluções:
•  Construa uma gama de tarefas curtas, focalizadas e definidas claramente nas aulas.
•  Varie o nível de demanda de tarefa para tarefa.
•  Varie o tipo de apoio.
•  Use os outros colegas para manter o aluno trabalhando.
•  Na hora da rodinha, situe o aluno próximo ao professor (sem sentar no colo).
•  Providencie um quadrado de carpete para que a criança fique sentada no mesmo lugar.
•  Trabalhar no computador às vezes ajuda a manter o interesse da criança por mais tempo.
•  Crie uma caixa de atividades. Isso é útil para as horas em que a criança terminou sua atividade antes de seus colegas, precisa mudar de tarefa ou precisa dar um tempo. Coloque uma série de atividades que o aluno gosta de fazer, incluindo livros, cartões, jogos de manipulação, etc. Isso encoraja a escolha dentro de uma situação estruturada. Deixar que outra criança participe é uma boa maneira de encorajar amizade e cooperação.

GENERALIZAÇÃO, PENSAMENTO ABSTRATO E RACIOCÍNIO
Quando uma criança tem deficiência de fala e linguagem, suas habilidades de pensamento e raciocínio são inevitavelmente afetadas. Ela encontra mais dificuldade em transferir suas habilidades de uma situação para outra. Conceitos e assuntos abstratos podem ser particularmente difíceis de entender e a capacidade de resolução de problemas pode ser afetada.
Soluções:
•  Não assuma que o aluno vai transferir conhecimento automaticamente.
•  Ensine novas habilidades usando uma variedade de métodos e materiais e em vários contextos diferentes.
•  Reforce o aprendizado de conceitos abstratos com materiais concretos e visuais.
•  Ofereça explicações adicionais e dê demonstrações.
•  Encoraje a solução de problemas.

CONSOLIDAÇÃO E RETENÇÃO
Alunos com Síndrome de Down geralmente levam mais tempo para aprender e consolidar coisas novas e a habilidade de aprender e absorver o aprendizado pode variar de um dia para o outro.
Soluções:
•  Ofereça mais tempo e oportunidade para repetições adicionais e reforço.
•  Apresente informações e conceitos novos de maneiras variadas, usando material concreto, prático e visual, sempre que possível.
•  Siga em frente, mas sempre dê uma revisada para assegurar que coisas aprendidas anteriormente não ficaram esquecidas com a assimilação das novas informações.

ESTRUTURA E ROTINA
Muitas crianças com Síndrome de Down se dão bem com rotina, estrutura e atividades focalizadas claramente. Situações informais e sem estrutura são geralmente mais difíceis para eles. Eles também podem se sentir contrariados com qualquer mudança. Podem precisar de maior preparação e podem levar mais tempo para se adaptar às mudanças na sala de aula e nas transições.
Soluções:
•  Explique sobre a grade de horários, rotinas e regras escolares explicitamente, dando tempo e oportunidade para que aprenda.
•  Providencie uma grade de horário visualmente atraente: use palavras, desenhos, figuras e fotos.
•  A progressão da aula durante o dia deve poder ser acompanhada pelo horário.
•  Quando uma grade visual não for apropriada, arrume uma série de fotos ou figuras descrevendo as atividades escolares. Estas fotos podem ser mostradas a criança antes da atividade ser começada.
•  Certifique-se de que a criança sabe qual será a próxima atividade.
•  Atenha-se à rotina sempre que possível.
•  Prepare a criança com antecedência se souber que haverá alguma mudança e informe os pais.
•  Solicite a ajuda da criança na preparação para a atividade subseqüente dando-lhe uma tarefa específica.